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  • Elias Torralbo

A PREGAÇÃO BÍBLICA

Nenhum cristão – minimamente consciente – duvidaria ou questionaria a importância e o quão essencial o ministério da pregação é para a vida da igreja de Cristo. Um culto bíblico exige, não somente a necessidade, mas a prioridade da exposição das Escrituras, o que reafirma sua centralidade à vida cristã.

Acerca disso, Martin Lloyd-Jones escreveu:

"A obra da pregação é a mais elevada, a maior e a mais gloriosa vocação para a qual pode ser chamado. Se alguém quer conhecer outra razão, eu diria, sem hesitação, que a mais urgente necessidade da igreja cristã, na atualidade, é a pregação autêntica. E, visto que esta é a maior e mais urgente necessidade da igreja, evidentemente ela é também a maior necessidade do mundo". (LLOYD-JONES, p. 15, 2010)

A posição de Lloyd-Jones demonstra enfaticamente a íntima relação que existe entre a vida da igreja, sua missão diante do mundo e o quanto ela deve influenciá-lo por meio da pregação. Depois de ouvir a voz de Deus, o profeta Habacuque teve seus olhos abertos e pôde perceber que a solução para os problemas de sua geração (violência, injustiça social, etc) não estava em outro lugar senão na obra de Deus, e por isso clamou com paixão: “...aviva, ó SENHOR, a tua obra...” (Hc 3.2). O sucesso de um país passa pelas mãos da igreja, pois se a obra de Deus estiver bem, todas as demais coisas serão ajustadas.

Para que a igreja esteja bem é determinante que seu púlpito esteja bem, quer dizer, a saúde do corpo de Cristo é fruto do que é pregado em suas reuniões. O apóstolo Paulo aponta para isso em Efésios 4.11-16, conforme lemos:

"E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, querendo o aperfeiçoamento dos santos para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo, até que cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual todo corpo, bem ajustado e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor". (BÍBLIA)

Os cinco dons ministeriais apontados por Paulo têm relação com a exposição bíblica, seja no ministério da pregação ou do ensino. Portanto, uma igreja saudável, onde há unidade de espírito, em que todos crescem juntos, cumprindo assim cumprem suas respectivas funções no corpo de Cristo, é resultado da pregação fiel das Escrituras.

Contudo, é preciso um destaque especial às seguintes questões: “Tudo o que é dito à partir do púlpito de uma determinada igreja deve ser considerado como pregação genuína?” “Qual a pregação que Deus abençoa?” “Qual a pregação capaz de produzir uma igreja saudável?” “Como distinguir a verdadeira pregação da falsa?”

Infelizmente, nem tudo o que tem sido chamado de pregação, possui a aprovação divina, sendo então incapaz de contribuir positivamente com a vida da igreja. A verdadeira pregação é aquela que se enquadra dentro do padrão estabelecido por Deus em sua Palavra; afinal, o Senhor Jesus não somente deu a ordem para que seus discípulos pregassem, mas determinou o que deveriam pregar: o evangelho (Mc 16.15).

Sendo assim, a pregação bíblica é a que Deus aprova e usa para cumprir os propósitos para s quais ela existe: a glória do Senhor; a edificação da igreja; a salvação do perdido.

Marcas de um pregador bíblico

É impossível pensar ou abordar sobre o ministério da pregação sem levar em conta a figura do pregador, e por esta razão precisamos levar em conta a seguinte questão: “Quais as marcas de um pregador verdadeiramente bíblico?”

A resposta a esta pergunta deve partir do princípio de que o púlpito é apenas uma extensão da vida do pregador, pois o ministério da pregação lhe impõe responsabilidades que não se limitam ao ato da pregação somente, mas também à maneira que deve ser e viver o pregador antes e depois que prega. Sendo assim, a pregação será bíblica se o pregador for bíblico, não somente na entrega da mensagem, mas na forma com que vive sua vida.

A pregação evidencia a vida do pregador. Por exemplo, alguém que ame a Deus ardentemente, pregará de tal forma que esta verdade estará exposta a todos que o ouvem. Acerca disso, leiamos o que os pastores John Piper e Wayne Gruden escreveram:

O pregador que concede vida é um homem de Deus, cujo coração está sempre sedento de Deus, cuja alma está sempre seguindo com afinco a Deus; cujos olhos estão fixos em Deus e em quem, pelo poder do Espírito de Deus, a carne e o mundo têm sido crucificados e seu ministério se apresenta como a corrente abundante de um rio doador de vida. (PIPER, p. 17, 2009)

Como bem sabemos, a chamada de Deus é o que dá autenticidade ao ministério da pregação de alguém, e isso impõe ao pregador a responsabilidade da manutenção de uma vida consagrada, ou inteiramente entregue a Deus, que é a fonte desta chamada. Caso contrário, toda ação ministerial estará separada de Deus, e isso resultará em grandes prejuízos, não somente ao pregador, mas principalmente à igreja de Cristo.

A relação do pregador com Deus é indispensável para que o seu ministério seja bem sucedido, e principalmente aprovado por Deus, e com isso possa alcançar os resultados para os quais a pregação foi estabelecida. Somente por meio de uma vida dedicada à oração, consagração, leitura bíblica e de bons livros é que o pregador poderá exercer seu ministério com fidelidade e eficácia.

Um dos maiores benefícios que um pregador alcança com uma vida de relacionamento com Deus, é a proteção daquele que pode vir a ser seu maior inimigo: o próprio pregador. Andar com Deus em oração, jejum e leitura bíblica levará o pregador a reconhecer quem ele é em Deus, bem como sua inteira dependência no Senhor, conforme escreve o pastor J. I. Packer:

"Pessoas que vivem próximas de Deus são mais conscientes dele que de si mesmas; e se as chamamos de piedosas, elas geralmente sorriem, meneiam a cabeça, e dizem como gostariam que isso fosse verdade. O que elas conhecem de si tem mais a ver com fraquezas e pecados que com qualquer realização espiritual real ou imaginária. Elas relutam em falar de si próprias, a não ser como instrumentos nas mãos de Deus; servos, cuja história é digna de menção apenas por fazer parte da suprema história de como Deus exalta a si mesmo neste mundo que lhe nega a honra". (PACKER, p. 50, 2012)

Está claro que é indispensável ao pregador que tenha vida com Deus, porque isso o levará à inteira dependência de Deus, livrando-o principalmente da vaidade pessoal, e consequentemente de erros que podem ser fatais a si mesmo como pedra de tropeço a tantos outros. Insistindo neste ponto, o compromisso do pregador com uma pregação bíblica, depende do quanto ele tem enraizado em si mesmo os fundamentos inegociáveis da Palavra de Deus, e para isso é preciso um constante e corajoso olhar introspectivo a fim de identificar a motivação do exercício ministerial.

Motivações impuras sempre resultarão em práticas impuras, do mesmo modo que motivações puras resultarão em práticas puras; nenhum pregador negociará a mensagem caso tenha motivações fundamentadas em Deus e em sua Palavra. Isso quer dizer que o maior objetivo do pregador é ser fiel (I Co 4.1-2).

Em uma época tão difícil, e marcada pela confusão espiritual como a nossa, manter-se fiel à exposição fiel das Escrituras só será possível ao pregador que manter-se ligado em Deus por meio das práticas espirituais citadas acima, pois isso manterá vivo em seu coração o compromisso com os objetivos reais da pregação, e o manterá consciente de que somente por meio de uma pregação bíblica é que Deus pode ser glorificado, a igreja pode ser edificada e o perdido pode ser salvo. De maneira prática, o pregador que deseja ser fiel no exercício de seu ministério deve fazer a si mesmo as seguintes perguntas: “Qual mensagem glorifica a Deus?” “Qual mensagem edifica a igreja?” “Qual mensagem é capaz de salvar o perdido?” E a resposta será: uma mensagem exclusivamente bíblica.

James E. Rosscup afirma:

"Há duas passagens centrais relacionadas à oração, a seus ensinos e ao impacto destes no ministério pastoral. O tema de João 15.7,8 é uma vida de oração e conquista através das respostas do Senhor, o que resulta em glória a Deus, multiplicação de frutos e autenticação da vida de oração. Efésios 6.10-20 enfatiza o poder da armadura de Deus, detalha as várias partes dessa armadura e culmina referindo-se à oração que deve acompanha-la. O pastor, ao ministrar para o público, não deve ter a ousadia de negligenciar essas verdades". (MACARTHUR, p. 177, 2007)

A oração é o meio pelo qual o pregador aproxima-se de Deus, podendo conhecer sua vontade para o seu povo, e de que forma as verdades bíblicas se aplicam às suas necessidades, e conforme vimos, ele não deve ousar exercer seu ministério sem ter alta consideração por tal prática espiritual.

Quando o pregador deve orar?

- Antes de pregar – na preparação do sermão.

- Enquanto prega – em seu espírito para que Deus lhe dê graça e o povo compreenda a mensagem.

- Após a pregação – para que Deus conceda os resultados necessários e propostos pela mensagem pregada.


Além de uma vida de oração, é imposta ao pregador a responsabilidade de constante dedicação ao estudo das Escrituras, utilizando-se dos recursos possíveis para isso. Antes de ser chamado ao ministério ou para o serviço, o pregador é chamado para um relacionamento pessoal com Deus, e somente pela prática da oração, consagração e leitura bíblica isso lhe será possível.

A vida particular do pregador determina o nível de alcance e principalmente de fidelidade do seu ministério.

Concluindo, não devemos nos esquecer: Nossa pregação será bíblica enquanto nossa vida e nosso ministério estiverem firmados em princípios bíblicos.

BIBLIOGRAFIA

LLOYD-JONES, D. M. Pregação e Pregadores. São José dos Campos: Fiel, 2010


Bíblia de Estudo Holman. Rio de Janeiro: CPAD, 2019


PIPER, J. Irmãos, nós não somos profissionais. São Paulo: Shedd, 2009


PACKER, J. I. Neemias, Paixão pela Fidelidade. Rio de Janeiro: CPAD, 2012


MACARTHUR JR, J. Ministério Pastoral, alcançando a excelência no ministério cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2007

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